Nesta quinta-feira (8), é celebrado o Dia Mundial do Rim, que tem como objetivo conscientizar a população da importância da prevenção e diagnóstico precoce das doenças renais. Neste artigo ao Blog, a nefrologista de Petrolina, Marília Victória de Souza Moreira, além de alertar para o problema, destaca as principais medidas de prevenção.

Acompanhe:

Este ano o Dia Mundial do Rim coincidiu com o dia da Mulher, e, como não poderia ser diferente, o tema é “Saúde da Mulher – Cuide dos seus rins”. A campanha mundial apresenta ainda um lema motivacional – include, value, empower (inclua, valorize, empodere). Dessa forma, é necessário incluir e capacitar mulheres e homens no cuidado da saúde. Nesse sentido, sempre que vou explicar a doença renal (seja ela aguda ou crônica) para pacientes e familiares, inicio falando que o rim é um órgão altruísta, talvez o mais altruísta do corpo humano.

Ele desempenha diversas funções. A principal e mais conhecida é a filtração do nosso sangue, em que um emaranhado de pequenas estruturas (nos rins) é capaz de filtrar (“limpar”) todo o nosso sangue mais de 50 vezes no dia. Isso quer dizer que em um homem de estatura média, o rim pode filtrar 170 litros de sangue em um só dia. E nesse processo ele elimina toxinas, excesso de escórias do nosso metabolismo, excesso de água e sal, e reabsorve o que o organismo necessita naquele momento.

Além dessa importante função, o rim é essencial no controle da pressão arterial, tanto porque regula a água e o sal no nosso corpo, como por liberar hormônios que estimulam a contração dos vasos sanguíneos, o que aumenta a pressão arterial. Ele também desempenha outras importantes funções hormonais. O hormônio que estimula a produção de glóbulos vermelhos (hemácias) na nossa medula óssea (a eritropoietina) é produzido no rim. Assim, uma pessoa com doença renal crônica de moderada a avançada acaba por apresentar anemia e necessita da reposição desse hormônio.

Além disso, o rim desempenha importante função na formação e calcificação dos nossos ossos. Pois a vitamina D ativa capaz de calcificar os ossos só completa o seu processo de ativação nos nossos rins. Não bastassem essas e outras importantes funções desempenhadas pelos rins, diante de situações adversas como uma infecção grave, eles se comportam de forma mais altruísta ainda. Sendo eles capazes de regular o próprio fluxo de sangue que recebem do organismo, diante de situações adversas eles o reduzem para priorizar órgãos mais “nobres”, como coração e cérebro, o que acarreta lesões renais. Tais lesões podem se instalar de forma abrupta (com resolução ou não), ou de forma insidiosa, o que ocorre com as doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes mellitus.

A doença renal crônica é definida pela presença de lesão renal e disfunção (medida pela redução da capacidade do rim de filtrar o sangue) presentes por mais de 3 meses. Estima-se que a cada 10 pessoas no mundo, uma possui doença renal crônica, e as duas principais causas são diabetes mellitus (1ª no mundo e 2ª no Brasil) e hipertensão arterial (1ª no Brasil). Assim, uma das principais medidas de prevenção é o controle dessas doenças. Para o rim um dos grandes vilões, senão o maior, é o sal. A OMS recomenda ingestão de menos de 5 gramas de sal/dia; no Brasil a média é 12 g/dia. Dessa forma, reduzir o sal, evitar temperos prontos e comidas industrializadas (ricas em sal) poderiam reduzir 2,5 milhões de mortes/ano no mundo (OMS).

Outras medidas de prevenção da doença renal crônica são: controlar o açúcar no sangue, o colesterol e o peso corporal; praticar atividade física; ingerir líquidos adequadamente (em geral, >2 litros/dia); evitar uso de anti-inflamatórios; não fumar; não abusar de bebidas alcoólicas; reduzir carne vermelha; realizar exames laboratoriais e ter acompanhamento médico regular. Para pessoas saudáveis e, sobretudo, para portadores de alguma doença crônica como hipertensão arterial e diabetes mellitus, é recomendado avaliar a função renal anualmente, com exames como creatinina, ureia e sumário de urina. Assim, a prevenção continua sendo o melhor remédio.

Marília Victória de Souza Moreira/ CRM-PE 21.058/CRM-BA 25.054, médica Nefrologista, mestranda e professora da Univasf, concursada no Hospital Universitário de Petrolina, trabalha com Nefrologia Geral e Clínica Médica.

Via Carlos Brito

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